O opróbio epíteto "assassinos contratados", tão frequentemente aplicado ao Exército pelos propagandistas Socialistas, parece para muitas pessoas na Irlanda - acostumadas como estão ao jogo duplo da imprensa Autogovernista - como uma caracterização um tanto severa das forças militares da Coroa. Nós estamos tão acostumados a ver nossos patriotas capitalistas se fazendo de idiotas nesse assunto, tão habituados a ver e ouvir os jornalistas e políticos que professam odiar nossos mestres ingleses, devotando colunas inteiras nos seus jornais para "Rumores da Guarnição", e outros mexericos relativos ao Exército, tão frequentemente visto nossas Corporações de Autogoverno peticionarem ao Governo britânico para permitir a instalação permanente de uma força militar nas suas cidades, tão familizariados com o estranho espetáculo de parlamentares irlandeses se levantando no Parlamento Britânico para demandar melhor tratamento àqueles soldados britânicos que a Irlanda teve a infelicidade de parir, que a opinião pública deste país quase perdeu de vista o sombrio e feio fato que o Exército Britânico na Irlanda tem uma única razão de existir - essa razão sendo o desejo das classes governantes e opressoras de possuir um corpo de homens armados altamente disciplinados de prontidão, que, ao primeiro sinal de desejo ativo por parte dos oprimidos de se livrar dos seus governantes e opressores, pode ser confiado para proceder sem perguntas a cortar a garganta, ou destruir de outra forma, de todo homem que aspire à liberdade. Em outras palavras, o Exército é, em linguagem simples, o que os Socialistas tão francamente descrevem ser, a ver, um corpo de assassinos contratados, criaturas com forma de homens, que, ao se alistar como "soldados da Rainha" concordam em troca da soma de 8d ou 1/- por dia tirar a vida de qualquer pessoa, seja homem, mulher ou criança, cujo nossos governantes desejem se livrar. É claro, ao contrário de assassinos privados que só matam sob a influência da paixão, o Exército faz seu trabalho sob aprovação da hierarquia cristã - bispos abençoam suas bandeiras, igrejas rezam para que o exército da sua nação particular corte gargantas o suficiente para garantir a vitória, e todo batalhão leva consigo um clérigo cuja função especial é garantir as delícias do Céu para tais valentes heróis caso caiam no curso do trabalho de assassinato. Admitimos que a presença de clérigos nesses ambientes, apesar de estar em contraste gritante com o ensinamento do Mestre que eles professam servir - "Não matarás" - não é sem precedente. As brigadas da Idade Média comumente tinham em seus bandos algum padre expulso, que também, como seu protótipo moderno no Exército, absolvia os membros feridos do seu bando de saqueadores.
O soldado é então, não importa de que maneira examinemos sua posição, um "assassino contratado" - seu primeiro dever, lhe é dito, é "obedecer". Obedecer a quem? A seus oficiais superiores, que por sua vez devem obedecer ao Governo. Quando a ordem é dada, "Matar", ele deve matar e não ousar perguntar o porquê. O governo sob cujas ordens ele serve pode ter sido colocado no poder por algum tipo de administração interna na Inglaterra, Opção Local(1), Eleição, ou Separação(2), mas assim que ele está no poder ele tem o direito de lançar todas as forças militares e navais da Coroa em uma guerra de agressão no interesse da classe possuidora, mesmo se ele estiver sobre um povo no qual a vasta maioria dos constituintes deseje viver em paz. Ele também tem o direito legal de usar seu poder contra a classe trabalhadora na sua própria terra se eles promoverem agitações sob o sistema da escravidão assalariada. Qualquer que seja a desculpa para mandar o Exército, o soldado não tem opção senão obedecer. Sejam egípcios se revoltando contra a opressão, bôeres defendendo sua independência, indianos enlouquecidos pela fome, ou irlandeses ansiando a liberdade; seja o ser humano à sua frente um estranho, amigo, pai, mãe, irmã, irmão ou amante, o soldado não tem opção senão puxar o gatilho, e colocar o instrumento de morte na sua tarefa de assassinato. Ele é somente um "assassino contratado", e deve ganhar um salário pelo seu contrato. O que é um assassino contratado, apropriadamente definido? Um que se engaja em tirar vidas humanas sem ter uma injúria pessoal para vingar, a comando de quem lhe pagar para fazê-lo. Essa descrição não serve perfeitamente ao soldado?
O efeito desmoralizador desta ocupação é ainda exemplificado na vida e linguagem do próprio soldado. A atmosfera moral do quartel é do caráter mais revoltante, assim como é a linguagem ordinária do soldado a mais bestial concebível. O Exército é uma verdadeira fossa moral corrompendo todos em suas garras, e exalando um miasma de pestilência em cada local infeliz o suficiente para ser amaldiçoado com sua presença. As raças mais degradadas dentro do largo Império Britânico afundam ainda mais na escala da humanidade após o contato pacífico com o Exército britânico; de fato parece ser corretamente afirmado que uma guerra desoladora afligiria menos um país do que uma ocupação pacífica pelos "Soldados da Rainha". Nossas mães irlandesas, que veem seus filhos se alistar neste poço de corrupção sem apagar seus nomes da lista familiar, as donzelas irlandesas que se entregam aos braços desta soldadesca contratada, não percebem a horrorosa depravação sob os vistosos uniformes e brilhantes adornos da tropa britânica? Um exército permanente em qualquer lugar, em qualquer país, é em primeiro lugar totalmente desnecessário; em segundo lugar, uma ferramenta nas mãos dos opressores do povo; em terceiro lugar, um gerador de prostituição, mas o Exército britânico é em particular o mais odioso da face da terra. Testemunhem as ESTATÍSTICAS OFICIAIS, que nos dizem que taxa de admissão no hospital por doenças venérias é
| No Exército prussiano | 26,7 |
|---|---|
| ... ... francês | 43,8 |
| ... ... austríaco | 65,4 |
| E | |
| Britânico na Índia | 458,3 |
ou quase um a cada dois; dez vezes mais do que no Exército francês.
"Soldados da Rainha". Bravo Exército, nobre Rainha.
Muitos, sem dúvida, questionarão o decoro da nossa ação em trazer este assunto desagradável à luz do dia desta maneira, mas nossa ação é motivada pelo desejo de acender na opinião pública dos nossos trabalhadores irlandeses um ódio tão real e persistente por este instrumento de tirania, unido ao desprezo do seu caráter, que servirá em primeiro lugar para destruir as pretenções de recrutamento na Irlanda, e em segundo lugar para disparar seus cérebros e ativar seus braços no dia em que limparmos a fétida mancha da sua presença em nosso meio. Este é nosso propósito, e colocar ao alcance de nossas garotas irlandesas um conhecimento das partes constituintes que vão com o conjunto do soldado britânico, para que elas fujam dos seus braços poluidores como se estivessem amaldiçoados.
Se formos bem-sucedidos em plantar no peito dos nossos caros escravos-assalariados uma décima parte do ódio que nós próprios sentimos por esta ferramenta ensanguentada dos nossos tiranos, estaremos confiantes que o dia não está muito distante em que a velha conta entre o trabalhador irlandês e seus exploradores será acertada.