Nós temos apontado nas colunas do Workers' Republic que a imprensa capitalista ordinária encontra tempo e espaço nas suas páginas para cronicar toda e qualquer coisa, exceto aqueles assuntos que são da maior importância para os produtores da riqueza. Considerando este fenômeno ficamos frequentemente perdidos para determinar se tal negligência dos assuntos que afetam o bem-estar social da vasta maioria da raça é malícia premeditada, é o produto de um desejo para agradar o financiador capitalista para quem o jornalista vendeu sua caneta - e sua consciência, ou é somente resultado de uma ignorância real, apesar de vergonhosa, sobre todos esses assuntos. Podemos estar inclinados a atribuir este boicote aos assuntos mais graves da vida para a última causa, a ignorância, mais do que a primeira, a malícia deliberada, se não fôssemos impedidos de ter essa visão caridosa pela lembrança que os jornalistas em questão podem sempre ser contados para se portar como instrutores-gerais da classe trabalhadora, durante cada crise em nossa história, seja crise política ou industrial. Como assumir a função de instrutor excluí a possibilidade de se abrigar atrás do apelo de ignorância nos sentimos compelidos a encarar o jornalismo capitalista como uma arma eficiente nas mãos de um inimigo bem-informado, mas completamente sem escrúpulos, mais do que meramente um relator imparcial, mas mal-informado, dos eventos correntes.
Essas reflexões nos são sugeridas por uma consideração da ausência das colunas dos jornais irlandeses de toda referência ao estado atual do ramo da imprensa, e especialmente daquele ramo representado pela gráfica, a ver, os compositores. Este uma vez bem-sucedido e todo-poderoso sindicato está praticamente arruinado. Somente em Dublin, fomos informados, que há algo como 140 membros registrados como desempregados(1), e uma situação parecida também é noticiada, não somente de todo outro centro do ramo na Irlanda, mas da Grã-Bretanha e da América. Na verdade, nos últimos países mencionados as perspectivas dos compositores são ainda piores do que aqui, como a introdução das máquinas de linótipo já tem mais tempo, e está portanto no tempo presente muito mais generalizada do que na Irlanda. Mas uma revisão das colunas de anúncios dos nossos jornais diários mostrará que raramente passa uma semana sem que haja uma nova gráfica adotando a máquina e despedindo os compositores manuais, com o que podemos esperar justamente que em pouquíssimo tempo, pelo menos com relação ao trabalho nos jornais, a colocação manual do tipo será somente uma memória. Os efeitos de tal mudança serão profundos e, para os homens, desastrosos. Nenhum sindicato pode suportar por muito tempo a drenagem dos seus recursos por parte tão grande dos seus membros como a que está agora sendo feita com os fundos de desemprego da Sociedade Tipográfica. Oficiais interessados, ou membros otimistas empregados, podem fechar seus olhos para os perigos ou questionar a inevitabilidade da quebra iminente, mas os mais visionários e sábios do ofício já reconhecem a gravidade da crise que se aproxima, e já reconhecem também que nenhum poder dentro do escopo da ação sindical pode preveni-la.
Nós dissemos que o futuro próximo possivelmente verá o desuso inteiro da colocação manual para o trabalho nos jornais, e os membros da Tipográfica já concedem o ponto, mas o que eles ainda não reconhecem é que a colocação manual para trabalhos delicados está igualmente ameaçada com a ruína. Sua falha em perceber isto é devida a sua inabilidade em conceber como o trabalho intricado, e por vezes quase artístico, envolvido em montar anúncios e certos tipos de livro, etc., pode ser satisfatoriamente performado pela máquina. Nós prontamente garantimos que em seu estado atual o linótipo não pode fazer tal trabalho, mas não vemos razão pela qual o aperfeiçoamento da máquina a ponto de que ela possa fazer tal trabalho deva ser considerado impossível quando vemos o fato maravilhoso da máquina em si. Assim como alguns compositores otimistas agora dizem que a máquina não poderá nunca fazer trabalho delicado, alguns anos atrás a maioria dos compositores pensava, e afirmava, que a máquina nunca poderia satisfatoriamente performar o trabalho compositor de qualquer tipo. Nós já vimos um sonho rudemente destruído, não veremos também o outro impiedosamente desfeito? Mas, apesar de todo o perigo envolvido em um futuro desenvolvimento dos poderes do linótipo, há outra crise nascendo do desemprego a atacado que afeta diretamente as perspectivas de todo o ramo. Ela está: Primeiro, na exaustão dos fundos do Sindicato, e no consequente enfraquecimento do seu poder de resistência às perseguições dos empregadores: Segundo, na competição por trabalho por parte dos mais espertos dos desempregados, que poderiam, em alguns meses no máximo, se adaptar aos requistios do trabalho delicado: Terceiro, todos os aprendizes do ramo se dedicarão agora à aquisição do conhecimento técnico necessário para a prática das formas mais intricadas da arte tipográfica: Quarto, por conta de todas as razões mencionadas haverá em breve uma oferta praticamente ilimitada de trabalho buscando emprego no único ramo ainda não tocado pelo linótipo, e frente a tal congestão do mercado de trabalho nenhum sindicato pode manter os salários altos contra a pressão abaixadora da ganância capitalista.
Nós falamos agora da crise como se ela pertencesse ao futuro, mas em todo sentido real ela já está conosco. Algumas das mais importantes firmas de impressão de Dublin já utilizaram o linótipo para lhes permitir descartar completamente seus empregados sindicalizados - Messrs Healy and Co. fornece um exemplo notável, firmas outras e menores foram encorajadas pelo seu sucesso a seguir seu exemplo sem o auxílio do linótipo, e os jornais diários e semanais reduziram seu pessoal de compositores manuais a dimensões tão pequenas que a consideração que esses jornais são produzidos por "trabalho sindicalizado" não tem mais significado.
Com vistas a este grave cenário no ramo da imprensa devemos perguntar aos nossos amigos da Tipográfica o que eles pretendem fazer? Eles devem ver que todas as misérias que lhes ocorrem são o resultado de uma adesão lógica às regras de negócios recomendadas pelo capitalismo; que tudo que a classe mestre fez eles só agiram por pressão dos seus interesses de classe, e finalmente que o sindicalismo não-político não tem remédio para este mal intolerável. Visto que, o que é o mal? É o desemprego do trabalho pela maquinaria, a realização pela máquina do trabalho até agora feito por seres humanos. Não é a máquina, nem seu inventor que são culpados. A culpa está no sistema que permite que indivíduos privados sejam proprietários da máquina, e usem ela para destruir a felicidade dos trabalhadores, em vez de fazer dela propriedade pública da sociedade, para ser usada para diminuir o trabalho enquanto aumenta o conforto de todos. Em outras palavras, a máquina em si pode ser uma benção, mas a propriedade privada da máquina fez dela uma autêntica maldição. Então quando o compositor pensar no linótipo que ele lembre que é somente como instrumento nas mãos da classe mestra que ele deve ser execrado; como um instrumento nas mãos do Trabalho emancipado ele seria louvado como uma conquista gloriosa para abrandar o trabalho e aumentar o prazer.
E lembrando disso, que ele declare apoio ao Partido Republicano Socialista, o único partido na Irlanda que defende os interesses da classe trabalhadora, buscando capturar o poder político necessário para fazer os instrumentos do Trabalho propriedade, não de uma classe, mas de um povo livre em uma ordem social livre, a República Socialista.